29 de mar. de 2010

E aqui vamos!

Um ano, um mês e alguns dias em “prisão domiciliar”, esse voltar pra casa com Navajo Teresa depois do nosso passeio vespertino, por volta das 19h e só sair de casa no dia seguinte. Viver a descoberta deste novo mundo: ser a mãe de Navajo Teresa, no mais das vezes, sozinha. Redescobrir os amigos. Desvendar meu casamento. Lavar minha infância. Cozinhar. Lavar fraldas na mão. Passar, nem fudendo! Enfeitar a casa. Ler pouco. Ver novela. Ir ao cinema. Minha amizade com Mary e Di. O skype. A varanda. A banheira. As visitas. O sabor das vezes em que saí de noite, contadas as vezes com apenas uma das mãos. A casa Fulozinha. Brincar pela casa inteira. Desenhar no chão. Inventar piscinas. Banho de mangueira. Poder tudo dentro deste nosso reino, absolutamente tudo o que quisermos. Liberdade sem limites, não há paredes que possam comigo e com ela. E só um ano depois conseguir escrever alguma coisa sobre isso. Isso... Não consigo nem definir, aqui, de dentro de tudo, em plena emoção, o que sente esta mulher que agora é apenas a intensa mãe de Navajo Teresa. Sentir falta da perfeição, tudo que faltou para o momento mais maravilhoso da minha vida não ter tido sabor do cansaço extremo, do isolamento, da falta de privacidade, da raiva da ausência de Lucien em tantos e tão importantes momentos. Meu novo corpo. Meu novo sexo. Trepar menos do que gostaria. Maconha. Vinho. Os dias, um hoje após o outro. Agora mesmo me dá uma peninha por não haver começado a escrever antes, mas é isso, um dia vivo, um dia escrevo. Vamos ver se dá pra correr atrás destes dias, e escrever sobre o que passou, antes que passe de vez. Navajo está crescendo, já já a prisão domiciliar vai virar uma outra coisa, e eu vou ter que fazer uma nova piadinha com meus limites. E enquanto as coisas não mudam de nome, apresento este blog, escrito por uma dona de casa, com perspectiva de passarinho. 

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