31 de mar. de 2010

Hoje, novela

Hoje, não receberei nenhum amigo, nem verei um filme, nem cozinharei uma receita nova, hoje, depois que Navajo Teresa dormir, vou curtir o silêncio da casa, ver novela no mudo, escrever por aqui, pegar ela nos braços e botar pra dormir de novo (ela sempre escapole e vem me dar mais um beijinho de boa noite, fazer mais um chameguinho, cheirinho, dengo). Novidade, nosso próximo número, que começo a ensaiar na segunda, já tem convite para temporada em Luxemburgo. É, começo a ensaiar segunda, das 18h às 22h, minha prisão domiciliar seriamente abalada. Di vai dormir por aqui até Lucien chegar. Minha vida apenas minha durante as noites seriamente abalada. Volto às ruas. O social, caminhar do Canela, via Vitória, até aqui. A noite do lado de fora.
Já não sei dizer do que sinto mais falta agora. Não faz nem 10 minutos, ela saiu da cama e veio na rede, onde eu estava, peguei ela nos braços, ela adormeceu em menos de 2 segundos, e eu fiquei ali... olhando a carinha dela, sono tranquilo. Que carinha linda..., está grande, 75 cm (desenhei ela na parede, dia desses, marquei a altura), está forte, benza Deus! Olhava pra ela, olhava, olhava, e ela ali, em meus braços, aninhada. Botei a bonequinha na cama de novo e vim pro computador, ser menos feliz, pra exercitar. 

Pensando em parar


Talvez tenha começado este blog tarde demais. Minha prisão domiciliar praticamente se dissolveu estes dias. A freqüência dos amigos aqui em casa, meus passeios noturnos com Navajo Teresa, e uma enorme ternura por nossos momentos juntas e a sós, o que defini para um amigo como uma experiência que tem um ladinho negativo, mas um montão de coisas maravilhosas. A intensidade com a qual vivo a minha vida é tamanha, que não dá pra muita gente. Ou seja, para ser o que é, tiha que ser assim. Lucien foi o primeiro a respeitar meu jeito de fazer as coisas, mas também não agüenta. Sozinha, é o meu jeito, o meu jeitinho. E aqui, sozinha com ela, estamos inventando os dias, cada dia um, uns mais legais, outros menos, uns aos quais apenas sobrevivemos (cansaço impede MESMO ver beleza e afins), outros lindos, dias pra sempre.
E fiquei pensando se quero, ou posso, dividir esse momento. Se dá mesmo para dividir com o internauta esta experiência, se vou querer ouvir a opinião de vocês, se vou querer responder os comentários, lembro de uma entrevista de Idea Vilariño onde ela comenta que se sentiu muito humilhada quando viu uma pessoa, que ela sabia que a detestava, lendo seu livro. Não detesto muito pessoas, mas fiz o exercício com uma delas, e não foi interessante imaginar essa pessoa sabendo de mim, muito menos fazendo um comentário... com quem eu não me sintonizo, eu não tenho contato, assim de simples. Um blog seria abrir uma brecha?
Na dúvida, Dona de quê? continua meu, minha volta ao diário, quem sabe não imprimo o blog ao final, e faço o poket blog?
Quem sabe?..., por hora, o que me importa mesmo é que Navajo Teresa, que teve uma febrinha de leve hoje de manhã (de manha?), está ótima, vai comer quiabada, sua comida preferida, e eu, que passei a noite em claro velando o soninho dela, me senti anjo de sua guarda, mais eficiente que chá de pitanga. É simplesmente uma delícia ser a mãe desta mocinha.

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