3h36m. É a nova moda na casa, de tão cansada, dormir enquanto ponho ela pra dormir, com fome, de roupa, sem perceber, simplesmente entregar os pontos e apenas perguntar-me, passei a tranca na porta? E acordar no meio da noite, luz da cozinha acesa, me esperava?, fome, vontade de escrever, de fazer cocô, vontade de tudo – ela dorme, eu sonhava – paredes de velhos edifícios ruídas de cima a baixo, sim, ruínas, imprestáveis para se viver. A adolescência lá dentro, acontecendo de novo. Bolos murchos sendo confeitados, festas sem graça, procissões vazias, nem os passantes olhavam, não interessavam a ninguém, um meio dia sem sol. Há um roubo, alguma violência rápida, nada que me marcasse no sonho, nem me lembro bem. Acordo. Tomo coragem pra sair da cama. Penso bem se não deixo para comer amanhã, cagar amanhã, escrever amanhã – melhor não me arriscar, faço agora, amanhã, nunca se sabe. A internet está fora do ar e me pergunto se não é um sinal para que eu também me desconecte, durma, relaxe. Ando vendo oráculo em tudo. Não dou bola pros sinais nem pra internet que dorme – sou de diários feitos à mão, evoluí para arquivos word, e mais que isso é o que aprendi a amar, mas que vivo sem, com alguma dor, mas vivo.
3h57m, pensei que havia levado mais tempo nisso, pois, vou comer. A água de coco não foi suficiente, então suquinho de maracujá, pão e queijo. Chocolate? Boa noite.
4h14m. Me lembrei que o diário está na mala. E como deixar de comentar que as hemorróidas voltaram a atacar, como me calar diante deste fato? Ainda agora tive que enfiar meu dedo no cu, com toda delicadeza para arrancar o cocô sem forçar as minhas preguinhas doloridas, me lavar cuidadosamente e ainda sentir o cheiro da efedrina, que custa a sair. O cu de quem tem medo. É isso, acontece, coisa de quem tem. E usa. Os próximos dias serão para acalmarmo-nos. Voltar. Voltar sem ter ido. Hoje, já acredito que não embarquei. Acredito e gosto. Os dias estavam insuportavelmente intensos. A dúvida sobre levar Teresa ao médico ou não. A febre que acredito emocional vai e volta desde dia 7/7. Apenas febre, nada mais. Esperarei mais um dia. Agora ela está comendo um pouquinho. Agora voltei a fazer as coisas aos pouquinhos. E aqui vamos, mais devagarinho.